Renato Gaúcho, que substituiu o português Luís Castro no comando do Grêmio, aproveitou a entrevista coletiva após o empate por 1 a 1 com o Internacional, neste domingo (11), em Porto Alegre, para defender Alexandre Mendes, integrante de sua comissão técnica que foi preso na semana passada em meio a um caso de suspeita de violência doméstica.
“Vivemos em um país em que acontece o seguinte… Primeiro, atira-se e, depois, perguntam se é inocente ou culpado. Houve jornalistas que massacraram o Alexandre Mendes. Eu sou a favor da prisão do cara que bate em mulher. No dia em que ele fizer isso, não vai trabalhar mais comigo, mas é a sétima vez que acusam o cara, e ele é inocente”, afirmou.
O treinador também criticou a cobertura da imprensa sobre o caso e declarou seu posicionamento político.
“A imprensa tem que parar de dar cinco minutos de fama a quem não deve dar. No dia seguinte, o próprio Ministério Público o inocentou, e alguns jornalistas estavam com uma sede para condená-lo… Por que não tiveram essa sede para inocentá-lo agora? Eu não deveria dizer isso, mas é por isso que sou Bolsonaro”, acrescentou.
Após a declaração, Renato Gaúcho, de 64 anos, levantou-se e deixou a sala de imprensa sob aplausos de alguns jornalistas.
Com a fala, o treinador manifestou apoio político a Bolsonaro em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, entre Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entenda o caso envolvendo Alexandre Mendes
O caso envolvendo Alexandre Mendes teve início em setembro de 2024, quando sua então companheira publicou nas redes sociais um áudio em que pedia socorro, acompanhado de fotografias e vídeos nos quais mostrava hematomas que, segundo ela, teriam sido provocados por agressões.
As denúncias levaram a Polícia Civil a abrir uma investigação por suspeita de violência doméstica.
O inquérito conduzido pela Segunda Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre foi concluído sem o indiciamento do treinador, de 62 anos. Segundo as autoridades, não ficou comprovado que ele teria sido o responsável pelas supostas agressões. Mendes afirmou que estava viajando quando os fatos teriam ocorrido.
Um ano depois, Alexandre Mendes foi denunciado pelo Ministério Público por violência psicológica contra a ex-companheira, com quem manteve um relacionamento de seis anos.
A mulher o acusou de administrar medicamentos para drogá-la e de, em determinada ocasião, mantê-la trancada em um apartamento no Rio de Janeiro durante aproximadamente nove horas.
O caso continua sob investigação, e uma medida protetiva foi determinada para impedir que o treinador se aproximasse da suposta vítima.
Na última quinta-feira (8), Alexandre Mendes foi preso ao chegar ao Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, por suspeita de descumprimento da medida protetiva.
No entanto, cerca de 24 horas depois, a prisão preventiva foi revogada, e ele foi colocado em liberdade. A revogação da prisão não significa, por si só, que as acusações tenham sido definitivamente descartadas ou que o processo tenha sido encerrado.
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