O dólar registrava leve queda nesta quarta-feira (5), com investidores repercutindo dados secundários de emprego nos Estados Unidos divulgados nesta manhã, que vieram mais fracos que o esperado e deram alívio temporário a investidores sobre o futuro dos juros no país.
A Bolsa brasileira, no entanto, ainda não conseguiu surfar no otimismo, descolando-se dos índices de Nova York. As ações da Vale, empresa de maior peso do Ibovespa, segue caindo, limitando o desempenho do índice.
Agora, investidores aguardam a divulgação do relatório de empregos fora do setor agrícola nos Estados Unidos, considerado o indicar mais relevante de mercado de trabalho no país.
“Os dados deverão testar o otimismo crescente quanto aos juros do Fed após o fraco número de abertura de vagas que derrubou os rendimentos dos títulos do Tesouro na sessão anterior”, afirma a equipe da Guide Investimentos.
Na Europa, a expectativa recai sobre uma nova decisão de política monetária do BCE (Banco Central Europeu), que ocorre nesta semana.
Às 10h55, o Ibovespa caía 0,13%, aos 121.642 pontos, enquanto o dólar tinha oscilação negativa de 0,04%, praticamente estável cotado a R$ 5,283.
“Os mercados lá fora estão mais positivos para emergentes no geral”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos.
“Dados de mercado de trabalho dos EUA mostraram criação de postos abaixo da expectativa. Isso ajuda a reduzir as preocupações com a inflação e favorece um enfraquecimento do dólar”, acrescentou.
Nesta manhã, dados mostraram que a criação de vagas de trabalho no setor privado dos EUA ficou abaixo do esperado em maio e os dados do mês anterior foram revisados para baixo.
Foram abertos 152 mil empregos no mês passado, depois de 188 mil em abril, segundo o relatório da ADP. Economistas consultados pela Reuters previam a criação de 175 mil postos no mês passado.
A persistência de um mercado de trabalho bastante aquecido nos EUA tem deixado as autoridades do Federal Reserve (banco central americano) com uma postura cautelosa em relação à trajetória da inflação de volta à sua meta de 2%, adiando o possível início de um ciclo de cortes nos juros.
Com a moderação recente no mercado de trabalho, operadores passaram a ver 65% de chances de um corte de juros pelo Fed em setembro, contra 46% uma semana antes, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.
Quanto mais o banco central dos EUA cortar os juros, pior para o dólar, que se torna comparativamente menos interessante quando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano diminuem.
Folha Mercado
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Na terça (4), o dólar subiu 0,95% e fechou o dia cotado a R$ 5,285, numa sessão marcada por forte recuo das commodities, que penalizou divisas de países exportadores, como o Brasil. Com o valor, a moeda americana atingiu seu maior nível ante o real desde março de 2023.
O minério de ferro chegou ao seu menor nível em sete semanas por conta de sinais de enfraquecimento de demanda na China, o principal importador mundial da commodity.
Já o barril de petróleo Brent registrava queda de 1% no fim da tarde, registrado seu menor valor desde janeiro, após a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) ter sinalizado que vai retirar seus cortes na oferta a partir de outubro.
Incertezas sobre a economia dos Estados Unidos, que geram temores sobre o futuro da política de juros no país, também seguem pesando sobre o mercado e jogando contra o real.
Na Bolsa brasileira, o dia foi de recuo, justamente pela pressão de ações ligadas a commodities, em especial Vale e Petrobras, as duas de maior peso em sua composição.
Com isso, o Ibovespa caiu 0,18%, aos 121.802 pontos, segundo dados preliminares. Vale e Petrobras recuaram 1,01% e 1,11%, respectivamente.


