Manifestantes se reuniram na tarde deste sábado (15) na avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o PL Antiaborto por Estupro. Os participantes do ato, que ocupavam uma das pistas da via em frente ao Masp, apelidaram o texto de “PL da gravidez infantil” e fizeram críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
Coletivos feministas, movimentos sociais e a Frente Estadual para Legalização do Aborto convocaram o ato, que começou às 15h.
“Queremos o arquivamento desse projeto nefasto”, disse Maria das Neves, integrante da União Brasileira de Mulheres.
“É um retrocesso civilizatório, usam nossos corpos como moeda de troca e avançam com a política do estupro”, continou ela. “Mas as mulheres brasileiras vão colocar para correr esse PL.”
O alvo dos gritos de guerra dos manifestantes era Lira, que aprovou a urgência do projeto na última quarta-feira (13), em votação-relâmpago.
“Fora, Lira”, gritavam em coro, além de “criança não é mãe e estuprador não é pai”.
Uma dessas vozes era de Juliana Bruce, 40, grávida de 18 semanas. “Esse é um movimento importante para defender crianças, mas também mulheres adultas. Queremos ter nossos direitos mantidos, não dá para retroceder. É uma aberração”, disse ela sobre o PL.
A gestora ambiental Ana Paula cutolo cortez, 40, levou os filhos de 8 e 6 anos para o ato. Para ela, estar na rua é uma maneira de levantar a voz contra o “silencio que favorece os opressores”.
“Sei a responsabilidade e a dedicação que é criar família, a importância de uma infância com atenção dos pais, e é terrível pensar em mulheres que não escolherem gerar uma vida se verem obrigadas a criar uma criança em contexto hostil”, afirmou.
“Ninguém quer ver uma criança sendo obrigada a parir aquilo que foi objeto de extrema violência”, acrescentou Luka Franca, do Movimento Negro Unificado.
Pai de uma menina, o psicanalista Ivan Martins, 63, afirmou que não deseja que sua filha cresça em um mundo dominado por “fanáticos religiosos que ditem o que ela pode fazer”. “Importante vir para a rua defender direitos básicos e civilizatórios, direitos da família”, disse ele.
A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL) participavam da manifestação, que seguiria até a praça Roosevelt, no centro da cidade.


