Em 2027, havia 4.708 registros de arma de fogo ativos no Sistema Nacional de Armas (SINARM) da Polícia Federal. Em 2023, a quantidade saltou para 18.129, um aumento de 285,1%. Outro dado relevante é o fato de que 96,6% dos registros foram solicitados por homens.
No levantamento não há dados divulgados sobre o ano de 2018. Confira os números ano a ano:
Registros de armas de fogo no TO
| Ano | Quantidade |
| 2017 | 4.708 |
| 2018 | – |
| 2019 | 8.468 |
| 2020 | 9.808 |
| 2022 | 15.448 |
| 2023 | 18.129 |
Ainda segundo o levantamento, a maior parte dessas armas são pistolas, com quase 6 mil unidades em posse de pessoas físicas. A quantidade de rifles, fuzis e carabinas passa de 3,2 mil.
“Em 2017 é criado o porte de trânsito, que permite que o CAC [Certificado de Colecionador, Atirador e Caçador] possa circular armado pelas ruas. Isso faz com que muitas pessoas queiram adquirir arma de fogo e se tornarem CACs não pela arma e pelo direito de se defenderem somente, mas pela vontade de andarem armadas nas ruas”, explicou Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Depois de 2019, a flexibilização da legislação para o porte agravou ainda mais a situação, completou o conselheiro. “Você dá o acesso à população a armas que antes eram de calibres restritos”.
Muitas armas vão parar na mão de criminosos
O processo para o registro e posse leva cerca de 30 dias e é feito pela Polícia Federal. A maior preocupação dos especialistas é que os dados mostram que a maior parte das mortes violentas no Brasil são causadas por armas de fogo, em 73,6% de todos os casos. Além disso, parte dessas armas registradas vão parar nas mãos de criminosos.
“Seja através do furto e roubo de residências onde tem arma de fogo ou até mesmo pelo desvio, criminosos colocando laranjas para comprar arma de fogo como se fossem pessoas interessadas na defesa pessoal quando na verdade são organizações criminosas se aproveitando dessa facilidade para adquirirem armas que antes eram restritas”, pontuou Roberto Uchôa.
Arsenal foi apreendido pela Polícia Civil — Foto: PC/Divulgação
Depois de desviadas, essas armas supostamente seriam vendidas no mercado paralelo. Quatorze pessoas foram levadas para delegacia e pelo menos quatro foram presas. As investigações começaram em outubro do ano passado.





