SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (6) que os Estados Unidos contam com um amplo estoque de munições e ameaçou com penas de prisão aqueles que sugerem o contrário.
O republicano atacou em sua plataforma Truth Social as notícias publicadas pela imprensa sobre a queda no estoque de armas. Ele afirmou que os EUA têm “quantidades maciças de ‘munições’, especialmente de certos tipos”, sem revelar mais detalhes.
“Além disso, grandes quantidades estão sendo fabricadas e enviadas aos EUA conforme o necessário. As empresas de defesa estão construindo o maior número de instalações e fábricas na história do nosso país”, acrescentou.
O jornal Washington Post havia informado que Trump exigiu resposta sobre a escassez de munições ao chefe do Pentágono, Pete Hegseth, na sexta-feira da semana passada, quando eles participaram de uma reunião de gabinete em Camp David -casa de campo do presidente.
Trump teria dito a Hegseth que acreditava que o problema das munições “já tinha sido resolvido”, segundo o Post, que citou duas pessoas não identificadas com conhecimento da conversa.
O presidente criticou as reportagens da imprensa, afirmou que “os ‘vazadores’ das declarações traiçoeiras estão sendo caçados” e que “serão solicitadas penas de prisão de longa duração!”.
A CNN também informou que a escassez de mísseis guiados de longo alcance e interceptadores de defesa aérea afetou a estratégia de Trump no conflito com o Irã, pois as forças militares americanas “praticamente esgotaram 80%” de suas reservas de interceptadores THAAD.
Segundo o Washington Post, a escassez levou Trump a cancelar novos ataques contra o Irã. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a cobertura sobre a conversa com Hegseth de “FAKE NEWS!”. “Eu estava em Camp David com o presidente Trump e o secretário Hegseth. Isso literalmente nunca aconteceu”, escreveu no X.
O principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que as reportagens sobre a discussão de Trump com Hegseth e sobre a escassez de armas eram “fictícias”.
Em linha com o publicado pela CNN, três pessoas a par dos dados ouvidas pela agência Reuters afirmaram que o Exército dos EUA consumiu grande parte de seu estoque global de mísseis de longo alcance e alta precisão durante a guerra contra o Irã.
Trata-se principalmente de armas terra-terra do Exército, conhecidas como Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) e Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM). Os EUA utilizaram “praticamente todas” essas armas, segundo duas das pessoas.
Essas munições de longo alcance -que custam mais de US$ 1 milhão cada (R$ 5,1 milhões)- são uma parte importante do arsenal militar, permitindo ataques precisos a partir de uma distância segura. Os ATACMS fornecidos pelos EUA desempenharam papel fundamental na guerra na Ucrânia, permitindo que as forças ucranianas atingissem alvos dentro da Rússia.
A redução drástica nos estoques de mísseis de precisão de longo alcance significa que Trump poderá ter de recorrer mais a missões de bombardeio tripuladas -que envolvem maiores riscos- caso retome ataques em larga escala contra o Irã.
As pessoas ouvidas não quiseram informar quantos exemplares de cada munição restam aos EUA.
Uma quarta pessoa familiarizada com a questão afirmou que, apesar do uso intenso de armas de precisão, os EUA têm condições de reabastecer seus estoques. O Comando Central -responsável pelas forças dos EUA no Oriente Médio- conseguiu realizar a reposição a partir de estoques militares americanos em outras partes do mundo, disse essa pessoa.
Questionada sobre os dados dos estoques, a Casa Branca divulgou um comunicado de Trump afirmando que os EUA possuem “muito mais munições do que qualquer outro país no mundo” e “muito mais do que precisam”. “Nossas empresas de defesa estão, neste momento, produzindo mais munições do que jamais produziram, além de expandir suas instalações e equipamentos a níveis recordes”, disse Trump.
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