A informação foi divulgada pela Polícia Civil em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (28), após a conclusão do inquérito. O delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que elementos colhidos durante a investigação sustentam o indiciamento por vicaricídio, conforme previsto no Código Penal. O g1 tenta contato com a defesa dos suspeitos.
Agora no g1
Vicaricídio, tortura, estupro e fraude processual
Inicialmente, a Polícia Civil informou que os suspeitos responderiam por homicídio duplamente qualificado e tortura. Mas a tipificação do crime foi reformulada, conforme as evidências encontradas, para incluir estupro de vulnerável e o vicaricídio.
🔎 A violência vicária acontece quando o agressor de uma mulher provoca danos a pessoas com as quais ela mantém vínculo afetivo, como filhos, pais e seus dependentes diretos, com o fim específico de lhe causar sofrimento, punição ou alguma forma de controle ou punição sobre ela.
Segundo o delegado, Igor Veloso confirmou em depoimento que o filho pulou na piscina sem autorização e quase se afogou, mas foi resgatado por ele. Quando questionado, Gustavo teria dito que a mãe o autorizou a banhar na piscina. Essa situação teria irritado Igor e dado início às agressões contra a criança.
“Isso teria causado um descontrole muito grande, somado à ingestão de bebida alcoólica e de medicamento controlado. Ele teria se descontrolado e passado [a desferir] chutes, socos na barriga e cabeça, ali mesmo na área externa da casa”, contou Menezes. A polícia acredita que as agressões que começaram na área externa continuaram no quarto do menino, levando-o à morte. Com relação ao crime de estupro, Igor teria negado veementemente a violência.
“Ele tentou justificar que as lesões no ânus do menino teriam sido em razão das pancadas. Isso será rechaçado tecnicamente com a nova solicitação direcionada ao perito. A forma como as lesões são necessariamente causadas pela inserção de objetos”, comentou o delegado.
Ainda conforme o delegado, o laudo pericial confirmou que a criança estava viva no momento em que essas lesões foram provocadas, o que configuraria também crime de tortura.
A fraude processual ocorreu após a morte de Gustavo. “Ficou claro que houve movimentação na cena do crime. Ajeitaram o corpo do menino para parecer que acordaram e encontraram ele morto. Essa alteração configura fraude processual”, explicou Menezes.
Igor Gustavo Veloso de Souza e Kathellen Moreira foram presos em Palmas — Foto: Divulgação/Instagram Delegado Eduardo Meneses
Prisão do casal
O pedido de prisão de Igor e Kathellen foi feito à Justiça 48 horas após a morte. Segundo a investigação, quando foram detidos, já haviam escondido aparelhos celulares.
Eles estão presos desde 5 de agosto. A Justiça negou dois pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Kathellen. Apesar de ela ter uma filha bebê, o Judiciário considerou que a criança está sob os cuidados da avó e que os fatos investigados são graves.





