A quantidade de autos de infração aplicados é semelhante ao que foi aplicado nos anos de pandemia, durante a gestão do ex-presidente Bolsonaro (cerca de 4,5 mil, tanto em 2020 quanto em 2021).
A queda é reflexo da falta de recursos e de pessoal que afeta o órgão. Servidores do Ibama decidiram, nesta sexta-feira (5), acatar decisão judicial e suspender a greve iniciada na segunda-feira.
Representantes dos servidores afirmam que irão recorrer da decisão. A apresentadora do podcast A Hora e colunista do UOL Thais Bilenky afirmou no programa que a decisão causou revolta. Havia expectativa de um tratamento melhor do que o recebido no governo Bolsonaro, quando foram constantemente perseguidos.
Alexandre Gontijo, da diretoria da Ascema, entidade que representa os grevistas, afirma que, no governo Bolsonaro, servidores respondiam aos ataques com ainda mais trabalho. Com a entrada de Lula no governo, diz ele, havia a expectativa de melhoria na carreira, já que o novo presidente foi eleito com a bandeira de preservação do meio ambiente.
Wallace Lopes, fiscal do Ibama que atua no órgão desde 2009, em Palmas (TO), disse que vive uma situação que disse ser extenuante, com jornadas de trabalho longas, exaustivas e arriscadas. “Um dos grandes problemas que impedem hoje de a gente entregar um bom serviço de proteção ambiental para a sociedade é a falta de estrutura e pessoal. O Ibama inteiro conta com estrutura com apenas 800 fiscais. Isso para proteger todos nossos biomas, inclusive a Amazônia Legal, que sozinha tem o mesmo tamanho de toda a Europa Ocidental.”
A crise entre governo e fiscais acontece em um momento crítico, em meio a um aumento inédito e precoce dos focos de incêndio no Pantanal. O número de focos de incêndio em junho foi recorde: 16 vezes maior do que a média dos anos anteriores. E a tendência é aumentar nos próximos meses, se acompanhada a série histórica.


