Falou-se em dezenas de mortos, entre crianças e mulheres.
Para cortar o coração, gira pelo planeta foto tirada pelo correspondente do jornal italiano Corriere della Sera, em Kiev. A foto mostrou uma aterrorizada criança ucraniana. Ela aparece na frente do hospital alvejado e num carrinho de bebê. Está com os olhos fechados. Claro, para não ver a extensão da tragédia.
Orbán-Putin
O autocrata Viktor Orbán, amigo e admirador do russo Putin, em menos de uma semana como presidente de turno da União Europeia realizou a sua terceira viagem. Já esteve na Ucrânia, Rússia e, agora, chegou à China.
O primeiro-ministro húngaro frisou que faz viagens como mediador de conflitos, embora não esteja autorizado e as funções estejam fora das atribuídas ao presidente da União Europeia. Ele atua voltado à implementação do projeto que chamou de “Peace Mission 3.0”.
Diante do alerta de estar fora do campo das atribuições presidenciais europeias, Orbán ressaltou que age como a autoridade de chefe de governo da Hungria.
No particular, Orbán esqueceu de combinar com Putin, e nos registros oficiais e na mídia oficial russa, o visitante constou como presidente da União Europeia e, como tal, portador de um plano de paz.
Putin não levou susto. Como sempre, voltou a desfrutar de Orbán. É que a retirada das tropas da Rússia do invadido território da nação ucraniana não consta no mencionado projeto de Orbán.
Na sua primeira viagem, a Kiev, o húngaro apresentou o mesmo projeto para o presidente Zelensky, que se mostrou aberto à paz, mas desde que os russos parem os bombardeios e se retirem da Ucrânia.
Com Xi Jinping, o autocrata magiar declarou que pedirá auxilio para mediar com ele o tal “Peace Mission 3.0”.
Aniversário da Otan
A outra curva do trem fantasma é bem fechada. Conduz aos 75 anos do Tratado Atlântico, que chamamos de Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O evento será em Washington e reunirá chefes de Estado e de governos dos subscritores do Pacto Atlântico. Já dizem as más línguas trumpistas que, se não estiver cansado, Biden marcará presença.
O encontro de aniversário será importante.
Nas eleições europeias, os conservadores venceram, e Ursula von der Leyen continuará na presidência da Comissão Europeia, o órgão executivo. O apoio a Kiev está garantido, e a Otan não sofrerá abalos porque Le Pen foi derrotada na França e Jean-Luc Mélenchon tem zero chance de virar primeiro-ministro francês.
Parêntese. A Constituição francesa não obriga Macron a escolher para primeiro ministro o líder do partido vencedor nas eleições parlamentares. Em Washington, Macron espera a decantação do resultado eleitoral. Por enquanto, contou não aceitar o pedido de saída do atual premiê.
Como sabe até a Torre Eiffel, a esquerda vencedora foi representada por uma coalizão denominada Frente Popular, com o partido France Insoumise, liderado por Mélenchon.
Dessa coalizão, faz parte Raphael Gluksmann, líder e fundador do Place Publique. Ele se opõe a Mélenchon como premiê, dado seu radicalismo.
Mais ainda, a Frente Popular é integrada por comunistas, socialistas, ecologistas e os de centro-esquerda, não só pelos ligados à França Insubmissa.
A direita radical, por outro lado, perdeu a liderança da corrida eleitoral, obtida no primeiro turno das eleições. No segundo turno, passou ao terceiro posto.
Patriotas do radicalismo
Para remediar a situação da direita extremada, Orbán acabou de lançar, a nível de União Europeia, um novo partido.
Orbán o chamou de Patriotas, conseguindo juntar a fina flor do extremismo da direita. Terá ao seu lado, além da derrotada Marine Le Pen, o fascista Matteo Salvini, do partido italiano Lega Nord (Liga Norte), da Itália, nascido separatista.
A premiê italiana Giorgia Meloni não vai entrar, com os seus 30 eurodeputados, nos tais Patriotas europeus.
O radical Nigel Farage, que foi o patrono do Brexit, no Reino Unido, está convidado a participar, agora que, pela primeira vez, elegeu-se ao Parlamento britânico. Farage já foi eurodeputado.
O presidente dos Patriotas será Jordan Bardella, o iletrado que se imaginou ungido a primeiro-ministro francês pelas mãos de Le Pen.
Num pano rápido. Na imagem do “trem fantasma”, resta dizer que ele é movido a combustível poluente, gerador do nocivo efeito estufa, por muitos e muitos anos.
Opinião
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