A investigação apura um suposto esquema de corrupção, direcionamento de contratos e falsidade ideológica, envolvendo um montante de R$ 139 milhões.
O centro do escândalo é a parceria firmada entre a Prefeitura de Palmas e a Organização da Sociedade Civil (OSC) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba. Segundo a Polícia e o Ministério Público, o processo administrativo teria sido “fabricado” para dar aparência de legalidade a uma escolha que já teria sido definida em reuniões secretas.
A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba informou que não está sendo investigada nesta operação e negou que Cláudia Fernanda seja representante da instituição. Já a Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria-Geral do Município, informou que acompanha o caso e aguarda acesso aos autos para se manifestar oficialmente. (Leia íntegra abaixo).
Confira os principais pontos sobre a investigação a respeito da terceirização das UPAs em Palmas:
UPA da região sul de Palmas — Foto: Raiza Milhomem/Secom Palmas
Quem foi preso durante a operação?
De acordo com a Polícia Civil e decisões judiciais, foram presos preventivamente a secretária de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa. A prisão ocorreu na manhã do dia 10 de junho de 2026, como desdobramento da Operação Falsa Emergência.
Além dos servidores, a Justiça também decretou a prisão da empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como lobista e articuladora dos interesses da Santa Casa de Itatiba. Ela é procurada pela polícia.
Qual é o valor e o que abrange o contrato investigado?
De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Palmas e apuradas pela Polícia Civil, o contrato soma aproximadamente R$ 139 milhões. O montante refere-se à parceria firmada com a Organização da Sociedade Civil (OSC) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.
Conforme decisão judicial e o Ministério Público do Tocantins (MPTO), o contrato abrange a gestão, operacionalização e execução dos serviços de saúde nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital. A investigação aponta que a formalização da parceria teria ocorrido com dispensa de licitação e indícios de direcionamento.
Quais são os crimes apurados pela Polícia Civil?
Segundo a Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor), a investigação apura indícios de direcionamento de contratação, falsidade ideológica e corrupção passiva e ativa. Há suspeita de que documentos tenham sido produzidos com datas retroativas para legitimar o contrato.
A decisão judicial da 1ª Vara Regional das Garantias reforça que teria havido “fabricação” de justificativas para a dispensa de chamamento público. Os documentos não foram localizados nos sistemas digitais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde (Semus) no período em que deveriam ter sido produzidos.
Como funcionava o suposto esquema de propina?
A investigação da Polícia Civil e do MPTO identificou que a empresária Cláudia Fernanda alugou uma BMW de luxo, ao custo mensal de R$ 9,5 mil, um dia antes da assinatura da dispensa de licitação. O veículo era utilizado com frequência pelo superintendente Andreis Vicente da Costa.
Para os investigadores, o uso do carro de luxo, avaliado em mais de R$ 228 mil ao longo do período de locação, é incompatível com o salário do servidor e teria funcionado como uma forma indireta de pagamento de vantagem indevida.
Houve tentativa de interferir nas investigações?
Sim. De acordo com o documento judicial da 1ª Vara Regional das Garantias, a secretária de Saúde, Dhieine Caminski, foi acusada de monitorar e tentar influenciar o depoimento de subordinados à Polícia Civil. Esse comportamento fundamentou o pedido de prisão, para garantir a conveniência da instrução criminal e evitar a coação de testemunhas.
O que diz a defesa dos envolvidos?
A defesa da ex-secretária Dhieine Caminski afirmou, em nota, considerar a prisão “desproporcional e desnecessária”, e informou que levará o caso ao Judiciário. O advogado de Andreis Vicente da Costa solicitou acesso aos autos para se manifestar, enquanto a defesa de Cláudia Fernanda informou que ela se apresentaria à polícia após retornar de viagem.
Qual a situação atual do contrato com a Santa Casa de Itatiba?
Apesar das prisões e das investigações, o contrato de terceirização continua vigente. Segundo decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de maio de 2026, a suspensão imediata do contrato poderia causar “desassistência” ou instabilidade no atendimento de urgência da capital.
O STJ ressaltou que a decisão não analisa a regularidade da parceria, mas apenas busca evitar um colapso na rede de saúde. O mérito sobre a legalidade do contrato ainda segue em tramitação na Justiça Estadual do Tocantins.
Como o contrato suspeito foi aprovado por servidores da secretaria?
Conforme as provas colhidas pela Polícia Civil e apresentadas pelo MPTO, servidores da Secretaria de Saúde relataram ter sido pressionados a assinar pareceres técnicos favoráveis à terceirização. Muitos alegaram não ter tido acesso ao plano de trabalho da entidade antes da assinatura dos documentos.
O atendimento nas UPAs foi afetado?
Em nota oficial, a Prefeitura de Palmas informou que as ações da Secretaria de Saúde seguem normalmente. A Procuradoria-Geral do Município garantiu que o atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento Norte e Sul não sofreu interrupções em decorrência da operação policial.
Secretária Dhieine Caminski; e o superintendente Andreis Vicente da Costa — Foto: Reprodução/Prefeitura de Palmas
Íntegra da nota da Prefeitura de Palmas
A Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria Geral do Município, informa que acompanha o caso e aguarda o acesso às informações oficiais dos autos para se manifestar.
A secretária de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, serão conduzidos para o Batalhão do Comando Geral da Polícia Militar até audiência de custódia.
As ações da Secretaria de Saúde seguem normalmente, sem prejuízos à população, inclusive no atendimento das Unidades de Pronto Atendimento Sul e Norte.





