Cidadania
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22/09/2026
A resposta à violência não começa nem termina no Tribunal do Júri. Ela também passa pela prevenção, pela conscientização e pela capacidade de uma comunidade se unir em defesa da vida. Foi com esse propósito que o Ministério Público do Tocantins (MPTO) promoveu, nesta segunda-feira, 21, em Dianópolis, a Caminhada Todos pela Vida.
A iniciativa da 1ª Promotoria de Justiça de Dianópolis marcou o Dia Internacional da Paz e reuniu representantes de instituições públicas, forças de segurança, igrejas, comunidade e familiares de vítimas da violência. Com o tema “Todos pela Vida: juntos pela paz”, a mobilização buscou chamar a atenção da sociedade para os impactos da violência e reforçar que a prevenção e a construção de relações pacíficas dependem da participação de toda a comunidade.
Na abertura, o promotor de Justiça Ênderson Flávio Costa Lima, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Dianópolis, destacou que a proposta nasceu da necessidade de aproximar as instituições da população e promover uma reflexão sobre a violência para além dos números e dos processos judiciais. “Por trás de cada processo, de cada número, de cada julgamento existe uma vítima, uma família, uma história profundamente atingida por aquele ato de violência”, afirmou.
Conforme o promotor de Justiça, somente em 2025 foram registrados 11 homicídios dolosos contra a vida nos seis municípios abrangidos pela atuação da Promotoria, número que, para ele, demonstra a necessidade de ampliar as ações de prevenção e conscientização.
Ênderson Lima também ressaltou que, desde o início do projeto, a Promotoria de Justiça já acompanhou mais de seis sessões do Tribunal do Júri, etapa em que são julgados os crimes dolosos contra a vida. Para o promotor de Justiça, a responsabilização de quem pratica violência é necessária, mas não suficiente para enfrentar o problema.
“Precisamos sim de responsabilização, precisamos sim de pena, mas precisamos cada um olhar em suas famílias, olhar em si: como é que a gente pode construir uma sociedade diferente?”, questionou.
Memória das vítimas
A caminhada também prestou homenagem às pessoas atingidas pela violência e aos familiares que convivem com as consequências desses crimes. Ao final da atividade, no Fórum da Comarca de Dianópolis, a 1ª Promotoria de Justiça realizou uma homenagem às famílias que perderam entes queridos e também às pessoas vítimas de violência que sobreviveram.
Para o promotor de Justiça, preservar a memória das vítimas e acolher seus familiares também faz parte da atuação das instituições do sistema de Justiça. “A justiça pertence também às vítimas diretas e indiretas. Dizer que suas famílias não serão esquecidas, que há de se preservar a memória daqueles que já não estão com a gente por um ato de violência”, destacou.
A proposta da caminhada também buscou incentivar a comunidade a não naturalizar situações de violência no cotidiano e a reconhecer que atitudes individuais podem contribuir para a prevenção de conflitos. “Eu acredito que podemos reproduzir, ao longo de várias ações como essa e outras que possam vir, uma mudança efetiva de cultura”, afirmou o promotor de Justiça.
Integração entre instituições
A programação contou ainda com um momento ecumênico conduzido pelo pastor Lucas Silva, da Igreja Cristã Evangélica de Dianópolis, e pelo pároco Eldinei Carneiro, da Igreja Matriz de São José, além da participação de representantes das forças de segurança, Poder Público, sistema de Justiça e demais instituições parceiras.
“A paz não é algo mágico que surge do nada. Não basta simplesmente optar pela não violência. É preciso colocar algo no lugar. Nós precisamos escolher sermos pacificadores”, afirmou o pastor Lucas Silva.
Para ele, a construção da paz também envolve abrir mão do orgulho, do ego e de sentimentos de vingança diante de conflitos.
Segurança pública e prevenção
Representantes das forças de segurança ainda reforçaram a importância da atuação integrada e da participação da comunidade na prevenção da violência.
O delegado de Polícia Civil Márcio Duarte Teixeira destacou o trabalho desenvolvido pelas forças policiais na apuração dos homicídios registrados na região e na responsabilização de envolvidos em crimes relacionados a organizações criminosas.
Também falou sobre situações em que familiares receberam informações falsas sobre investigações e autoria de crimes, o que ampliou o sofrimento provocado pelas perdas.
Já o comandante do batalhão da Polícia Militar na região, major Alderi Alves, chamou a atenção para o papel da população diante de situações de violência ao alertar que em vez de registrar uma ocorrência com o celular para divulgar nas redes sociais, a prioridade deve ser acionar o serviço de emergência pelo 190, permitindo a chegada mais rápida da equipe policial e a adoção de medidas para evitar consequências mais graves.
Propósitos
A caminhada saiu da sede do Ministério Público e seguiu até o Fórum da Comarca de Dianópolis. O percurso foi acompanhado por participantes vestidos de branco, mensagens de valorização da vida e manifestações em defesa da paz.
Ao final da programação, representantes das instituições e comunidade se reuniram no Fórum da Comarca, onde foram reforçados os compromissos de integração e de atuação em defesa da vida.
Texto: Lidiane Moreira/Dicom MPTO
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