Na época, ele tinha apenas R$ 227 na conta corrente quando foi surpreendido com o depósito astronômico feito pelo Bradesco. Pai de quatro filhos e avô de 14 netos, o motorista percebeu o depósito sete horas depois, procurou o banco e devolveu o valor de imediato. A honestidade dele foi contada inclusive no palco do programa “Domingão com Huck”, mas, no dia a dia nada mudou. E ainda por cima, as consequências desse caso lhe colocaram como alvo de comentários negativos nas ruas.
A frustração de Antônio aumentou ao perceber que, além de não receber um agradecimento formal ou recompensa, passou a enfrentar cobranças indevidas.
“Trabalho para comer e não peguei nada, devolvi o dinheiro para eles [o banco], e eles não me deram nada. Eu considero o banco como desonesto. A vezes penso: ‘Se eu soubesse que isso ia dar tanto pepino, eu ia era gastar esse dinheiro mesmo.’ Mas eu não gosto de pegar nada dos outros”, afirmou. Erro operacional de banco resultna transferência de R$ 131 milhões para AntônioAntônio Pereira do Nascimento — Foto: Reprodução
“O cara já está lascado, o cara quer lascar o cara ainda. Eu desconfiei quando ele falou que já tinha danos morais de R$ 150 mil e queria que eu pagasse uma taxa. O advogado não cobrou taxa nenhuma minha, foi de graça”, relatou.
Com a vida repleta de problemas decorridos desse episódio e após três anos sem respostas, Antônio sonha com a realidade em que pudesse usufruir do valor depositado, e conta que gostaria apenas de ter um lar renovado e uma ferramenta melhor de trabalho.
“Se esse dinheiro caísse e eu pudesse usar, ia reformar minha casa e comprar uma van nova para trabalhar. Eu estou aqui bem até, sadio… mas dá raiva. O banco nem me deu atenção nenhuma.” Homem recebeu quase R$ 132 milhões por engano — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Relembre o caso
Em junho de 2023, um erro de sistema do Bradesco fez com que o banco depositasse R$ 131.870.227,00 na conta de Antônio. Após a devolução espontânea, o motorista entrou na Justiça em julho de 2024, pedindo o “direito de recompensa”, previsto no Código Civil em casos de bens achados e devolvidos, no valor de R$ 13,1 milhões (10% do valor total), além de R$ 150 mil por danos morais, alegando pressão psicológica e exposição indevida.
Atualmente, o processo se arrasta na 6ª Vara Cível de Palmas. Em março de 2026, a Justiça decidiu dispensar a oitiva de testemunhas, entendendo que o caso já está pronto para julgamento antecipado.
O Tribunal de Justiça do Tocantins informou que o processo estava pronto para julgamento desde março deste ano, sem necessidade de novas provas. No entanto, o autor da ação apresentou embargos de declaração, recurso utilizado para pedir esclarecimentos ou correções em decisões judiciais. O pedido ainda está em análise e dentro do prazo legal. (Leia nota na íntegra abaixo).
A defesa de Antônio apresentou embargos de declaração para questionar a dispensa das testemunhas e pedir esclarecimentos. O banco Bradesco informou que não comenta casos em andamento na Justiça.
Íntegra da nota do Tribunal de Justiça
O Tribunal de Justiça do Tocantins informa que conforme o andamento processual, em março deste ano, o juiz informou nos autos que o processo estava pronto para julgamento, sem necessidade de novas provas. No entanto, o autor da ação apresentou embargos de declaração também no mês de março. O recurso está em análise e dentro do prazo, com previsão de apreciação na próxima semana. A sentença será proferida após o esgotamento dos recursos.
Embargos de declaração: Os embargos de declaração são um instrumento processual utilizado pela parte para pedir esclarecimento, correção ou complementação de uma decisão judicial, nos casos previstos em lei.





