A prisão da secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, nesta quarta-feira (10), representa um novo e importante desdobramento das investigações que apuram supostas irregularidades no processo de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital tocantinense.
A operação foi realizada pela Polícia Civil do Tocantins, por meio da Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor), que também prendeu um servidor da Secretaria Municipal de Saúde. Além disso, uma empresária apontada pelos investigadores como possível intermediadora das negociações do contrato segue sendo procurada pelas autoridades.
A ação marca uma escalada das investigações iniciadas em maio deste ano, quando a Operação Falsa Emergência cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a servidores públicos e pessoas relacionadas ao processo de contratação da entidade responsável pela gestão das unidades de saúde.
Contrato milionário está no centro das investigações
O foco das apurações é o Termo de Colaboração firmado entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, de São Paulo, contratada para administrar as UPAs Norte e Sul da capital.
O contrato, anunciado pela prefeitura em março deste ano, prevê repasses de aproximadamente R$ 139 milhões anuais para a entidade responsável pela gestão das unidades. Desde sua assinatura, o acordo passou a ser alvo de questionamentos judiciais, representações em órgãos de controle e investigações do Ministério Público.
Segundo a Polícia Civil, há suspeitas de que documentos utilizados durante a formalização da parceria possam conter informações ideologicamente falsas, que teriam sido inseridas para dar aparência de legalidade ao procedimento administrativo. As investigações também buscam identificar se houve favorecimento, direcionamento ou outras irregularidades na contratação.
MP e Tribunal de Contas já haviam apontado sinais de alerta
Antes mesmo da prisão da secretária, o caso já estava sendo acompanhado pelo Ministério Público do Tocantins, que instaurou inquérito civil para apurar possíveis atos de improbidade administrativa envolvendo a contratação. Entre os pontos analisados estão suspeitas de falta de transparência, eventual direcionamento da contratação e possível prejuízo aos cofres públicos.
O Tribunal de Contas do Estado também havia solicitado esclarecimentos à Secretaria Municipal de Saúde sobre o procedimento adotado para a contratação da entidade paulista e chegou a recomendar cautela na execução do contrato enquanto analisava os questionamentos apresentados.
Impacto político
A prisão da principal gestora da saúde municipal ocorre em um momento delicado para a administração da capital. A terceirização das UPAs já vinha provocando forte embate político entre vereadores da oposição e a gestão municipal, tornando-se um dos temas mais sensíveis da atual administração.
Nos bastidores políticos, a nova fase da investigação deve aumentar a pressão sobre a prefeitura e gerar novos pedidos de esclarecimento por parte da Câmara Municipal e dos órgãos de fiscalização.
Investigações continuam
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou oficialmente os detalhes que fundamentaram os mandados de prisão. A corporação informou apenas que as investigações seguem em andamento e que outras medidas poderão ser adotadas conforme o avanço da apuração.
A Prefeitura de Palmas ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre as prisões até a publicação desta reportagem. A defesa da secretária também não foi localizada.
Com a prisão de Dhieine Caminski, o caso deixa de ser apenas uma investigação sobre documentos e contratos e passa a representar uma das mais graves crises já enfrentadas pela gestão da saúde pública da capital tocantinense em 2026.





