SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um ataque com mísseis dos rebeldes houthis do Iêmen destruiu nesta quinta-feira um avião da estatal saudita Saudia no aeroporto internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita.
O incidente ocorre em meio a uma escalada intensa dos bombardeios dos houthis, aliados do Irã, contra o reino desértico. Nesta semana, o governo saudita havia confirmado a morte de três pessoas em ações contra aeroportos, uma delas em Riad.
Segundo os houthis, que travam uma guerra civil desde 2014 contra o governo reconhecido internacionalmente do Iêmen e seus aliados sauditas, dois mísseis balísticos foram disparados contra o Rei Khalid.
O governo local só confirmou que um míssil foi interceptado e seus destroços atingiram instalações civis, sem falar sobre danos ao aeroporto. Eles ficaram claros em imagens de redes sociais analisadas por sites de geolocalização
Nelas, é possível ver tanto uma grande coluna de fumaça no aeroporto quanto os destroços incendiados de um Airbus A320 ou A321 da Saudia, que tem 64 aeronaves destes modelos na sua frota de 149 aviões.
Segundo a agência Reuters, que confirmou o ataque com testemunhas no local, o Airbus estava vazio na hora do ataque.
Ato contínuo, o grupo alemão Lufthansa e a Air India suspenderam seus voos para Riad. Para o governo do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, as ações vêm numa hora péssima: a capital vai sediar a partir do domingo (11) um grande congresso mundial de empresas de energia.
O reino tem investido bilhões de dólares nos últimos anos para retrabalhar uma imagem mais moderna e menos dependente do petróleo.
No poder de fato desde 2017, Bin Salman tem navegado com dificuldade, entre o vaivém de Donald Trump acerca da região, a rivalidade com o Irã e as tentativas de negociar a paz com Israel, ora paradas apesar da pressão americana.
Cerca de metade dos voos saindo e chegando a Riad foi cancelada nesta quinta. A expectativa é de uma série de atrasos em cascata, dado que a cidade é um importante “hub” para conexões a outros países de rotas domésticas.
A atual escalada houthi é uma resposta à contraofensiva lançada pelos sauditas e seus aliados no Iêmen contra os rebeldes. A guerra civil foi reiniciada em julho, após passar quatro anos em suspenso, inserida agora no escopo do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Nesta quinta, o site americano Axios afirmou que o Pentágono se prepara para voltar a atacar pesadamente a teocracia após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Ao mesmo tempo, Trump disse a repórteres que não irá fazer nada até o pleito. O barril do petróleo para contratos futuros disparou 5%.
Os houthis lutam por sua própria causa, mas Teerã os apoia e vê com bons olhos uma frente de confusão do outro lado da península Arábica, somando o mar Vermelho ao Golfo Pérsico na lista de gargalos do transporte global de petróleo afetados pela guerra.
Os combates seguem intensos no sul do país, onde os houthis haviam tomado áreas na costa do mar Vermelho, ameaçando o trânsito de navios com óleo saudita pelo estreito de Bab el-Mandeb, afetando ainda mais o preço do petróleo.
As forças do governo iemenita, baseado no porto de Áden (sul), agem apoiadas por ataques aéreos promovidos por Riad. Os houthis, por sua vez, mantêm sua campanha de ataques diários com drones e mísseis não só contra aeroportos, mas também instalações petrolíferas e infraestrutura militar.
Segundo os rebeldes, dois outros aeródromos foram alvejados nesta quinta, no sudeste do país. O governo saudita não confirmou as ações.
A instabilidade fez os aliados sauditas Turquia e Paquistão anunciarem a primeira ação de defesa do reino no âmbito do Acordo de Meca, que uniu os três países num pacto militar inédito no Oriente Médio e Sul da Ásia.
Na segunda (5), os países haviam anunciado que seria enviada uma força de reação rápida ao reino, mas sem detalhe algum -os paquistaneses já estacionam um esquadrão de caças JF-17 e 8.000 soldados na Arábia Saudita, fruto de outro pacto assinado no ano passado.
Nesta quinta, a chancelaria turca esclareceu que não irá enviar tropas para lutar contra os houthis. “Este é um acordo defensivo. Quando um país que é parte do pacto é atacado, você o defende. Isso não é um acordo ofensivo. A Turquia não irá enviar forças para outro país para atacar seu território”, disse o chanceler Hakan Fidan.
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