“Turbulência é algo absolutamente comum. Ar calmo não existe. Às vezes, a turbulência é tão leve que não chega a interferir, mas sempre vai haver”, diz Miguel Angelo Rodeguero, diretor de segurança operacional da AOPA Brasil (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves).
Uma pessoa morreu e outras 30 ficaram feridas após o avião em que estavam, um Boeing 777 da Singapore Airlines, enfrentar um episódio de turbulência severa. A vítima, um homem de 73 anos, tinha problemas de coração (por isso, uma das possibilidades investigadas é a de um ataque cardíaco).
As imagens mostram estragos por dentro mas, até a publicação desta reportagem, não havia sido notificado nenhum dano externo à aeronave. Isso porque o risco de uma turbulência danificar a lataria é muito pequeno.
Como explica a ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), os cientistas aerodinâmicos definem turbulências como as trajetórias irregulares do fluxo de ar com velocidades instantâneas e flutuações aleatórias. Na prática, são como “lombadas” no ar — e que acabam resultando naqueles chacoalhões que fazem a aeronave balançar.
É importante ressaltar: o avião é considerado uns dos meios de transporte mais seguros existentes. E, hoje, os níveis de informações que o sistema de controle e as aeronaves têm são tão avançados, que muitas turbulências podem ser previstas e, assim, ter suas zonas evitadas. Turbulências, na maior parte dos casos, não são perigosas, especialmente se seguidas as orientações de segurança (leia mais abaixo).
Ainda que as turbulências mais comuns estejam relacionadas a eventos meteorológicas, a aeronave também pode balançar por outros motivos, como diferenças no relevo ou alterações de pressão atmosférica e temperatura, segundo a ABEAR.
Turbulências mecânicas, por exemplo, são causadas quando o fluxo de ar é direcionado pelo relevo (em algumas situações, até prédios podem provocar esse fenômeno). Ou em esteiras de turbulências, quando o avião passa em uma região e causa uma mudança nos ventos (por isso, também, os aviões devem manter certa distância um do outro).

Fantástico mostra o que causam as turbulências e como funciona a segurança dos aviões
É a turbulência de formações meteorológicas. “Dentro da nuvem, o vento se desenvolve no sentido vertical, de ascendente e descendente, com uma certa violência. O avião sofre esse movimento porque recebe os ventos fortes com desenvolvimento vertical, tanto ascendente quanto descendente.”
“Ela vem associada ou a correntes de jato chamada correntes de jato, que são correntes de ventos, rios de ventos fortes em altitude; ou ela vem associada com pós-frontal (passa uma frente fria e o ar, depois, fica azul, porém com turbulência devido a ventos fortes em altitude).”
Essa turbulência não é fácil de prever
- Turbulência das montanhas
“Por exemplo, aeronave de pequeno porte voando mais baixa em dia quente, ela vai sentir muito, vai pular muito, motivado por ventos que batem em encostas e sobem.”
Segundo ele, isso costuma acontecer bastante no cruzamento da Cordilheira dos Andes, por exemplo.
- Turbulência de windshear (tesoura de vento)
É a chamada turbulência de “windshear”, a tesoura de vento — uma mudança brusca no sentido de vento que pode acontecer em pousos e decolagens.
“Imagina um avião decolando com vento de proa, de frente, e na hora que ele sai do chão, esse vento de frente some e ele recebe um vento de cauda de 40 nós. Isso é uma windshear, porque, para o avião, pro velocímetro dele, ele acabou de perder 50 nós, 10 de proa e 40 de cauda.”
É o caso em que o deslocamento de ar de um avião pode afetar outro avião por perto.
“Imagina que tem uma aeronave voando e outra vai cruzar, não no mesmo nível, vai cruzar aqui embaixo. Essa esteira [de cima] pode pegar essa [de baixo]. Por que a esteira não vai em linha reta, ela começa a perder altura. E ela pega quem está embaixo.”
O que fazer durante turbulências
Quando elas acontecem, passageiros e comissários devem se sentar imediatamente, permanecendo com cintos de segurança afivelados. Durante uma turbulência, até mesmo os serviços de bordo são interrompidos.
E, como elas podem ser inesperadas, o recomendado mesmo é permanecer a viagem toda com cinto e evitar deslocamentos desnecessários no avião.


