
“Tive pouquíssima mensagem de apoio e muitas mensagens que não me agradaram, pois fizeram piada devido a profissão de modelo. Fiquei chateado porque meu objetivo era alertar do golpe e não de fazerem piada comigo. Eu queria mesmo era alertar a população para que não caísse num golpe desse. Eu fiz isso de bom grado, de bom coração”, lamentou.
Antônio compartilhou em uma reportagem da TV Anhanguera que uma pessoa se passou por funcionário de agência de modelos e, por demonstrar conhecimento na área, o convenceu a pagar pelo chamado composite fotográfico, que é um material com fotos e medidas do modelo para apresentar a possíveis contratantes. Ele fez o pagamento por Pix de R$ 1 mil, mas depois que a pessoa pediu mais dinheiro, o banco o alertou para o possível golpe.
O servidor foi ludibriado com a promessa de ser o primeiro trabalho como modelo comercial e que teria um cachê de R$ 7,2 mil. Por isso aceitou entrar na suposta agência de modelos que o ajudaria a conseguir trabalhos.
Nas redes sociais, após a história ganhar repercussão, Antônio disse que recebeu diversos tipos de comentários maldosos e também foi questionado sobre o motivo de ter acreditado nas promessas do golpista.
“Eles me taxaram como um idiota, como ridículo, feio, teve comentários dizendo que eu sirvo para o modelo de cemitério, com essa lataria de prefeitura, entendeu? É muito maldoso, né? Mas é isso, vamos ver se eu tiro proveito disso aí, desse assédio todo agora que está tendo e todo mundo me conhecendo”, contou.
Antônio conta que também percebeu comentários homofóbicos. “Eu saí em vários Instagrans do estado [Tocantins] e outros estados, mas como motivo de piada e ainda teve de cunho homofóbico. Sendo que sou casado, tenho esposa e filhos”, reclamou.
Mas apesar da rejeição dentro das redes sociais, Antônio recebeu conforto de pessoas que o conhecem.
“Algumas pessoas até falaram comigo para eu não ficar triste, chateado com a repercussão não ser da forma que eu queria. Eu queria mesmo era alertar a população para que não caísse num golpe desse. Eu fiz isso de bom grado, de bom coração”, defendeu o servidor.
Antônio Rabelo, de 43 anos, caiu no golpe do Pix e teve prejuízo de R$ 1 mil — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
A falta de conhecimento das pessoas sobre como funciona o mercado da profissão de modelo pode ter levado aos comentários questionando a ideia de que o servidor público não teria o perfil para atuar na frente das câmeras.
“Hoje tem vários tipos de modelo: modelo fashion, estilo Gisele Bündchen magrinhas, modelo Plus Size (Gordinhos), modelos idosos, modelos com deficiência, modelo comercial, onde eu me encaixo. A população está acostumada com modelos fashion e por isso estranharam eu como tal, por desconhecido que o mercado ampliou”, esclareceu.
Além de arriscar na profissão que passou a ter interesse em fevereiro deste ano, Antônio se descreve como um artista, pois é cantor de uma banda de rock há oito anos, além de ter participado peças de teatro e ter habilidade para falar em público. “Eu canto todos os estilos. Eu canto sozinho também. Eu coloco no som o playback e faço apresentações em flutuantes, aniversários e confraternizações”, contou.
Golpe aconteceu após teste em hotel
“Eu realmente tenho um contrato assinado com uma agência para modelo comercial. Eu não fui iludido acreditando que alguém me ofereceu um emprego de modelo do nada. Alguém que tem conhecimento da área se passou pela agência e eu acreditei ser funcionário da mesma. Porém, ao ligar na agência no outro dia me alertaram do golpe”, relembrou o servidor.
Antônio acredita que o criminoso conseguiu o contato dele pelas informações que estão em seu perfil no Instagram. Além disso, o golpista disse que o viu durante o teste realizado no hotel.
O suspeito informou que seria necessário encaminhar R$ 2,1 mil para a produção do composite fotográfico. Conforme o boletim de ocorrência, inicialmente o servidor negou fazer a transferência, mas por insistência do homem mandou um Pix de R$ 1 mil.
“Como sou novo no ramo achei que eu tinha que pagar o documento. Por isso dei o dinheiro para que este documento seja mostrado ao cliente informado. Porém ao ligar na agência me informaram que não preciso pagar por isso”, disse a vítima.
O criminoso chegou a pedir um valor adicional de R$ 650, mas como Antônio não tinha essa quantia informou que iria enviar apenas R$ 450. Ao tentar fazer o segundo Pix o banco entrou em contato com o servidor e o alertou sobre a possibilidade de um golpe.
Depois de contabilizar o prejuízo e registrar boletim de ocorrência, Antônio disse que a Polícia Civil o orientou a manter as conversas com o golpista para tentar localizá-lo. Já se sabe a possível identificação do criminoso e que se trata de uma pessoa que mora no estado de São Paulo, mas o suspeito ainda não foi encontrado.
O g1 pediu informações à Polícia Civil sobre a investigação do caso, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
Especialista alerta para golpes com uso do Pix