Os investigados que supostamente lidavam diretamente com os laranjas são Paulo César Maciel dos Santos, apontado como o líder do grupo, e Ítalo Paz Koche, que foi indicado como gerente geral do escritório de contabilidade.
Paulo César é considerado foragido. Ítalo Paz foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira (23).
Conforme a apuração da polícia, Ítalo é quem gerencia o escritório na ausência de Paulo César. O contador só foi descoberto após a primeira fase da Operação El Dourado, realizada em março de 2026.
Na última terça-feira, a Polícia Civil cumpriu um mandado na casa de Ítalo, em Palmas. Foram apreendidos notebooks, aparelhos celulares, carimbos com nomes dos investigados, além de duas porções de substância análoga à maconha, prontas para consumo.
Uso de laranjas no esquema
A polícia identificou que um dos laranjas teria sido atraído por Ítalo, com ajuda de outra pessoa. O contador teria prometido pagar R$ 2 mil por mês ao laranja para que ele “emprestasse” o nome para usar em uma empresa.
Conforme as investigações, Ítalo e Paulo César iam até a casa do laranja três ou quatro vezes por semana para fazer transferências milionárias que precisavam de reconhecimento facial. O laranja tentou sair do esquema após receber menos do que havia sido prometido, mas passou a sofrer ameaças de morte.
Durante o interrogatório, Ítalo confirmou que trabalha no mesmo escritório de Paulo César e afirmou que presta “serviços de T.I.” O investigado também optou por exercer seu direito ao silêncio.
Operação El Dourado
A Polícia Civil investiga um esquema que usa empresas de fachada para simular negociações milionárias no setor do agronegócio, gerando créditos fraudulentos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Segundo a polícia, o grupo era composto por empresas de fachada. No esquema, os integrantes simulavam negociações com grãos como soja e milho por meio de notas fiscais falsas para gerar créditos de ICMS. Em apenas seis meses, uma das principais empresas declarou uma movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu apenas cerca de R$ 39 mil em tributos.
No dia 24 de março de 2026, a polícia cumpriu um mandado de prisão preventiva em Unaí (MG), contra o principal responsável pelo esquema. Outro mandado de prisão preventiva foi expedido contra Paulo César, mas ele não foi localizado e é considerado foragido.
Segundo a polícia, as empresas operavam com estruturas que não eram declaradas. Ex-funcionárias disseram em depoimentos que eram contratadas para manter o local aberto para dar aparência de legalidade.





