O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) encerrou 2025 com queda acumulada de 1,05%, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Por ser o principal indicador utilizado para a correção dos aluguéis, a deflação pode representar um alívio para muitas famílias que não vivem em imóveis próprios no momento de negociar o reajuste anual dos contratos de locação.
— O IGP-M negativo indica que, nos contratos indexados a esse indicador, não há reajuste para cima no aniversário do contrato. Na prática, isso representa um alívio para o inquilino e cria um ambiente mais favorável à negociação, especialmente em mercados com maior oferta de imóveis ou maior concorrência entre proprietários — explica Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação ou Administração de Imóveis Residenciais ou Comerciais (Secovi-Rio)
Schneider, no entanto, ressalta que nem todos os contratos serão impactados por esse resultado, uma vez que nem todos utilizam o IGP-M como índice de reajuste.
— Atualmente, muitos contratos novos já adotam o IPCA, por ser um índice mais estável e mais alinhado à inflação do consumidor. Assim, apenas os contratos que preveem expressamente o IGP-M são impactados por esse resultado — acrescenta.
Diante do resultado do IGP-M e da possibilidade de negociação do valor do aluguel, Schneider listou dez dicas para orientar os inquilinos durante o processo. Confira.
Leia atentamente o contrato e identificar o índice de reajuste previsto.Utilize o IGP-M negativo como argumento técnico na negociação.Pesquise valores de mercado de imóveis similares na mesma região.Apresente histórico de pontualidade nos pagamentos.Inicie a negociação antes da data do reajuste.Proponha a manutenção do valor atual do aluguel.Ofereça a renovação por um prazo maior de contrato.Demonstre interesse em permanecer no imóvel, evitando vacância.Mostre flexibilidade para ajustes contratuais que interessem ao proprietário.Priorize o diálogo direto e transparente entre as partes. Aluguel subiu quase 10% em 2025
Apesar do IGP-M trazer alivio neste ano, o custo do aluguel subiu, em média, 9,44% em 2025. A alta foi mais que o dobro da inflação geral do ano passado: 4,26%.
O avanço geral, porém, foi em ritmo menor que o observado nos anos anteriores. Em 2024, a locação residencial subiu, em média, 13,5%. Em 2023 e 2022, o índice chegou a ter alta de 16% ao ano, período em que houve um salto pós-pandemia.
Os dados fazem parte do Índice FipeZAP, calculado pela Fipe com base em anúncios da OLX/Zap veiculados na internet, que acompanha o preço médio de imóveis em 36 cidades brasileiras, incluindo as capitais.
As capitais onde o aluguel mais subiu em 2025, segundo o FipeZAP
Em 2025, entre as capitais, os maiores avanços no ano foram observados em Teresina (21,81%), Belém (17,62%), Aracaju (16,73%), Vitória (15,46%) e João Pessoa (15,31%). A menor alta foi registrada em Manaus, capital do Amazonas, com avanço de 1% no ano. O Rio de Janeiro ocupa a 13º posição, com alta de 10,87%. Veja o ranking:
Teresina (PI): 21,81%Belém (PA): 17,62%Aracaju (SE): 16,73%Vitória (ES): 15,46%João Pessoa (PB): 15,31%Cuiabá (MT): 14,61%Belo Horizonte (MG): 13,01%Fortaleza (CE): 12,45%Salvador (BA): 12,38%Maceió (AL): 12,22%São Luís (MA): 11,37%Curitiba (PR): 10,98%Rio de Janeiro (RJ): 10,87%Natal (RN): 10,13%Recife (PE): 9,82%Porto Alegre (RS): 9,38%Florianópolis (SC): 9,35%São Paulo (SP): 7,98%Brasília (DF): 6,41%Goiânia (GO): 4,67%;Manaus (AM): 1,06%.Campo Grande (MS): -4,36% Cidades onde o aluguel mais subiu em 2025, segundo o FipeZAP
Para além das capitais, o FipeZap mede ainda a variação de preços de locação em quatorze cidades. Nesse grupo, Campinas (SP) liderou a alta, com avanço de 19,92%, seguida por Pelotas (RS), com 18,81%, e Niterói (RJ), onde os aluguéis subiram 16,27% no ano. Confira o ranking
Campinas (SP): 19,92%Pelotas (RS): 18,81%Niterói (RJ): 16,27%São José do Rio Preto (SP): 15,41%Barueri (SP): 13,97%Santos (SP): 12,80%Ribeirão Preto (SP): 11,60%Joinville (SC): 11,49%Praia Grande (SP): 9,40%Santo André (SP): 7,83%São José dos Campos (SP): 7,43%São Bernardo do Campo(SP): 7,31%Guarulhos (SP): 7,14%São José (SC): -3,10%


