A largada foi às 12h 20 pelo horário de Paris, 07h20 em Brasília. Inicialmente nadador, esporte que praticou de 2012 a 2018, Ronan largou bem na primeira etapa da prova, concluindo os 750m de natação na segunda posição, com 10min e 52s. Ele chegou a liderar a prova, nos primeiros 9 quilômetros do ciclismo, sendo depois ultrapassado pelo canadense Daniel Stefan. Com 16 quilômetros de bicicleta, o brasileiro ficou na terceira colocação, ao ser ultrapassado pelo húngaro Bense Mocsari, terminando o ciclismo em quarto lugar. Depois, ele chegou a liderar a prova, no início da corrida, sendo então ultrapassado pelo americano Chris Hammer, que liderou até o final e terminou a prova com tempo de 58m44s. Ronan ficou com a prata e tempo de 59min 01s. “Eu queria ganhar, tenho muitos sentimentos, eu arrisquei tudo, dei tudo de mim na natação, no ciclismo, e paguei caro na corrida. Tenho certeza de que no ano que vem vamos voltar mais fortes”, prometeu, em entrevista à RFI Brasil.
“Eu quero agradecer a todo mundo por este sonho, pois não é fácil. O triatlo é um esporte injusto”, diz. “Na minha classe, o atleta que tem o material mais barato tem uma bicicleta de R$ 120 mil eu quero saber quem no Brasil tem capacidade de ter isso?”, pergunta. “Eu deixei de nadar porque eu não sou talentoso e apanhava feio na natação. Mas tive pessoas que acreditaram em mim, venci uma depressão e tudo valeu a pena. A minha primeira bicicleta foi minha família que comprou”, diz, emocionado.
Prova de sobrevivência
Mais cedo, Letícia de Oliveira Freitas, de São Bernardo do Campo, 30 anos, competiu na categoria PTV1, para atletas com deficiência visual. A largada foi às 12h05 pelo horário de Paris, 7h05 pelo horário de Brasília, acompanhada da guia Giovanna Alves Opiari.
Leticia iniciou no esporte no vôlei, aos 12 anos. Ela foi diagnosticada com retinose pigmentar, doença que causa degeneração das células da retina. Durante 13 anos praticou natação e, desde 2020, migrou para o triatlo. Ela foi ouro no campeonato Pan-Americano da modalidade nos Estados Unidos, em 2024, e prata em 2023, na mesma competição.
Em Paris, ela terminou a natação em quarto lugar, com tempo de 13min e 31 segundos, quando fez a primeira transição da prova para a bicicleta dupla, onde pedala junto com a guia. Com 1,5 km de ciclismo, caiu para a quinta colocação, já com 17min 55s de prova e se manteve nessa posição nos primeiros 9 km de percurso. Aos 14 km, ela caiu para a sétima e depois para a oitava colocação, quando já tinham sido percorridos 16 km de ciclismo.


