
Um problema que se tornou recorrente são os buracos na pavimentação do trecho que fica no centro da cidade. Com o intenso movimento, o asfalto se deteriorou e foram feitos pelo menos três ajustes com pedras e cascalho, mas ainda existem problemas na via.
A dona de casa Nilva Pereira da Silva, que mora na rodovia, contou como ficou a vida depois que a cidade virou rota alternativa após a queda da ponte, em 22 de dezembro de 2024.
“Muito perturbada [a vida]. A gente não tem sossego nem para dormir, nem para conversar. Se vai atender um telefone tem que sair para o fundo do quintal porque aqui não tem como, não ouve nada […] Os caminhões passam quebrando a calçada”, reclamou a moradora.
Questionado sobre as situações das rodovias no norte do Tocantins o do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) afirmou que desenvolve ações necessárias para minimizar os impactos aos usuários, inclusive nas rodovias estaduais, por meio de contratações emergenciais e licitações.
Nessa sexta-feira (28), o órgão informou que houve a contratação emergencial para recuperação de um trecho de 82,2 quilômetros na TO-134, do km 26,3 ao 73,3 (47 quilômetros), e na TO-201, do km 0 ao km 35,2. O início das manutenções será em junho de 2025 (veja nota na íntegra no fim da reportagem).
À noite, o acesso pela TO-134 se tornou ainda mais perigoso. Sem acostamento ou sinalização, os buracos complicam a passagem de motoristas pelo trecho. O agricultor Antônio Alves Duarte teme como vai ficar a via na época de seca.
“Está um poeirão. E quando for mês de julho, agosto, Qual a situação do cidadão que mora na nossa região?”, questionou, reclamando do que se tornou a rodovia estadual com o grande fluxo.
O comerciante Eurivaldo Alves fechou o comércio. As paredes do estabelecimento e da casa dele estão rachando e a calçada está toda quebrada. “Ela dava cerca de 70, 80 centímetros até o asfalto. Só que aí como os caminhões vão passando, foi prensando tudo aqui, foram jogando essas pedras e o transtorno é isso aí, 24 horas que não tem sossego”, lamentou.
Mas o problema também afeta os caminhoneiros, que tiveram que aumentar o tempo de rota para seguir viagem. “Tem gente que vem lá de Brasília, Rio de Janeiro está gastando em média três horas, duas horas, para atravessar isso aqui. Aquela ponte é muito importante para o Brasil”, comentou o caminhoneiro que passava por Axixá, Moacir Gomes Costa.
O que seria bom para o comércio, na verdade virou um pesadelo. No mercado do Claudinei dos Santos Silva, as vendas caíram. “Nossas vendas caíram de 20% a 30%, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro. Agora que a gente está recuperando pouco a pouco, que eles conseguiram desviar a rota”, explicou o comerciante.
Cidades e rodovias não estão aguentando o movimento de carretas no norte do Tocantins — Foto: TV Anhanguera/Reprodução
Rota alternativa gera mudanças no trânsito em Tocantinópolis após queda da ponte JK
Em Sítio Novo, o problema se repete. A rodovia por onde passam ambulâncias, ônibus e caminhões precisam trafegar bem devagar para escapar dos buracos. O trajeto até Imperatriz, no Maranhão, era feito em 40 minutos, hoje leva mais de duas horas.
A comerciante Beatriz Oliveira precisou passar pera via e reclamou da situação.”É muito complicado porque o asfalto não foi feito para ter esse suporte de carga todinho. E agora com esse fluxo todo deteriorou tudo”, disse.
Em São Miguel do Tocantins, que também se tornou rota alternativa após a queda da ponte na BR-226, o governo estado instalou uma barreira para pesar os caminhões com 3,5 mil quilos tem que subir na balança. Quem estiver irregular recebe multa.
As condições do trecho e as medidas de fiscalização não estão agradando os caminhoneiros. “Sofrimento ‘brabo’. É só buraco, buraco, ponte caindo, arriscado o cara morrer. Aí chega uma hora dessa e pega uma balança ainda”, reclamou o caminhoneiro José de Oliveira.
Destruição mesmo com decreto
Tocantinópolis também é outra cidade afetada pelo fluxo intenso desviado da ponte JK. Em janeiro deste ano, o prefeito Fabion Gomes (PL) proibiu a circulação de veículos com mais de 25 toneladas nas vias urbanas. A medida foi tomada justamente para evitar que as vias públicas ficassem deterioradas. Mas três meses após o decreto, a situação é a mesma das outras cidades do extremo-norte do estado.
Em uma das ruas da cidade, o peso dos caminhões chegou a estourar canos de esgoto, causando a exposição na via.
Em entrevista à TV Anhanguera, o prefeito informou que voltou atrás da decisão e que buscou apoio do Governo do Estado, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e de políticos para recuperar as ruas danificadas posteriormente, para não afetar a população.
“Os caminhoneiros não têm culpa, os empresários não têm culpa, o povo não tem culpa. Hoje a culpa toda é do Governo Federal e ele tem que acelerar a construção da ponte para evitar esses problemas. E nós vamos tentar recuperar da melhor maneira possível”, afirmou Fabion, que ressaltou que uma das ruas que sofre com o movimento de veículos pesados tem mais de 180 anos.
Rota alternativa gera mudanças no trânsito em Tocantinópolis após queda da ponte JK
Queda ponte — Foto: Reprodução/TV Globo
O DNIT informa que após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226/TO, a autarquia desenvolve ações necessárias para minimizar os impactos aos usuários, inclusive nas rodovias estaduais, por meio de contratações emergenciais e licitações.
Para a execução dos serviços nos pontos mais críticos, foi assinado, nessa sexta-feira (28), o contrato emergencial para recuperação funcional sem manutenção de um trecho de 82,2 quilômetros na TO-134, do km 26,3 ao 73,3 (47 quilômetros), e na TO-201, do km 0 ao km 35,2 (35,2 quilômetros).
Os investimentos previstos para recuperação e manutenção das rodovias estaduais impactadas são de aproximadamente R$ 150 milhões. O valor inclui as emergenciais citadas e as licitações que têm como previsão o início dos serviços em junho de 2025.
As licitações envolvem os serviços de manutenção em 330,6 quilômetros nos seguintes trechos: TO-126, do km 107,7 ao km 135,3, extensão de 27,6 quilômetros; TO-134: km 26,3 ao km 73,3 e km 105,3 ao km 175,1, extensão de 116,8 quilômetros; TO-222: km 0 ao km 109,8, extensão de 109,8 quilômetros; TO: 201: km 0 ao km 35,2, extensão de 35,2 quilômetros; TO-210: km 0 ao km 12,3, extensão de 12,3 quilômetros; TO-415: km 15,4 ao km 44,3, extensão de 28,9 quilômetros.
O DNIT também atuou na contratação de balsas, que já estão em operação 24 horas por dia, ligando Aguiarnópolis (TO) e Estreito(MA).
O Departamento salienta que também estão em andamento as ações necessárias para as contratações das intervenções de recuperação das rodovias estaduais impactadas no estado do Maranhão.
Moradores reclamam da pavimentação deteriorada — Foto: TV Anhanguera/Reprodução